segunda-feira, 26 de novembro de 2007

estou lendo "as horas" de michael cunningham. o filme com a nicole kidman foi baseado nesse livro que venceu o pulitzer em 1998. lendo esse livro me dou conta de que é quase impossível que um filme seja tão bom quanto o livro - embora isso não seja nenhuma novidade. reconheço que é um exercício incrivelmente difícil adaptar um livro para o cinema ou para o teatro. parte-se do princípio de que algo precisa ser suprimido. e aí você pensa: se isso pode ser suprimido, por que o próprio autor não o fez? existem adaptações belíssimas, como o próprio "as horas". entretanto, toda adaptação é um crime à obra original.

Um comentário:

(...) disse...

antes eu torcia o nariz para adaptações. e às vezes me pego fazendo isso até hoje. mas o que passei a compreender, talvez até mesmo por começar a escrever e ter essa experiência prática de como é feita uma releitura, é que depois que uma obra está terminada (se é que obra se termina) ela não é nada e não é de ninguém. é como se ela tivesse nascido, mas pudesse nascer de novo a cada instante. acho que a adaptação, seria o renascimento de uma obra. e ela pode nascer de uma nova fonte, através de outra mídia artística, o que torna essa possibilidade de reinvenção extremamente fascinante. nossa, já escrevi tanto que me perdi... onde é que eu estava? bom, de qualquer forma, diferente de um tempo atrás, hoje eu entendo a adaptação como uma possibilidade de se fazer outra coisa, e não a mesma coisa. e talvez esse seja o barato. o que quero dizer é, shakespeare escreveu romeo e julieta, mas se eu fizer uma peça, não será o romeo e julieta de shakespeare, vai ser outra coisa. já me perdi de novo... então é melhor parar por aqui, se não eu fico até amanhã...

=*