sábado, 15 de agosto de 2009

Nome Próprio (2007) - -2.0

Assim como eu já discuti várias com o João Paulo sobre como a música brasileira é muito melhor do que qualquer outra música que possa existir, tentei argumentar que o cinema brasileiro é melhor do que parece. Mas o João Paulo é Mainárdico e acha que o Brasil não precisa de cinema. Um absurdo plausível. É um absurdo, mas é plausível. E a plausibilidade desse absurdo se deve a filmes como Nome Próprio.

"Nome próprio" é um filme pretensioso que nem a boa atriz Leandra Leal consegue salvar. Aliás, o filme já começa errado no roteiro, baseado em blogs (!!!) de uma tal Clara Não-sei-das-quantas. Olha só, eu até concordo que tem muitos anônimos, que escrevem bem, espalhados aí pela grande rede. Mas daí a escrever um roteiro em cima da história de um desses anônimos, pera lá. E ela nem escreve tão bem assim!

A Renata lá do MKO definiu bem o filme: "profundíssimo como um píres". Outro comentário que vi por lá foi que a personagem principal do filme é uma adolescente que lia Capricho e resolveu escrever nas paredes pra parecer descolada.

Isso tudo sem contar os erros crassos de coerência. A blogueira lá se conectava via dial-up - o famoso fax-modem. Mas nem com a minha velox, eu me conecto e navego com tanta velocidade quanto a internet dela.

Enfim, o filme é extremamente pedante. A personagem Camila é uma adolescente crescida que precisa tomar um couro de cinta e tomar tenência na vida; deixar de ser uma menininha mimada que gosta de curtir a vida e arrumar um emprego como secretária de dentista ou psicólogo, sei lá. Se tem uma coisa boa no filme é retratar essa geração internética - na qual me incluo, de certa maneira - que não quer saber de dureza e cujo conhecimento vem do wikipedia ou do Pai-Google.

E claro, - esse é sempre o grande problema dos filmes nacionais: bons ou ruins - quando o roteiro não ajuda, da-lhe peitinho, bocetinha e todo tipo de sacanagem. Mas é tudo descolado, não é gratuito, "é natural, é necessário para o desenvolvimento da narrativa". Bosta nenhuma! Murilo Salles devia era ter vergonha e pedir desculpa pra quem teve a infelicidade de assistir esse filme.

Pra terminar, alguém pode dizer: "Ah, mas esse filme levou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Direção de Arte no Festival de Gramado, poxa vida!". E aí eu te digo: "Ah, tá. Você fala daquele festival que deu um prêmio especial pra Xuxa? " Belezentão!

3 comentários:

c. tinôco disse...

se for o filme que eu tô pensando, uma amiga assistiu e lembrou de mim... porque a menina escreve, e essas coisas.

mas você falando assim, preferia nem ser lembrada... hahaha
mas leandra leal é bacana.

beijo querido!

JC disse...

Realmente, essa prática sexista dos filmes brasileiros com roteiros fracos é condenável.

Mas, só de curiosidade, quem paga peitinho/bocetinha no filme?

Ludy disse...

Pois é Theus... como levar a sério o cinema de um país que dá um prêmio especial pra mulher que fez, entre outros, filmes como Fuscão Preto? Aliás, o festival de Gramado, que eu pensava ser sério, é uma grande festa mesmo não? Cheio de bbb's, globais de segunda linha e outros famosos aproveitando os seus 15 minutos.
Forza!